Selo GP - Rodrigo Roreli Laço
Fundação: Francisco Gabriel
Bié Barbosa
Alcance, credibilidade e
imparcialidade, desde 84
ANO 40
Nº 2010
11/03/2024


Eventos GP
Eventos GP

O mais tradicional evento cultural da cidade debateu, desta vez, sobre o PRECONCEITO - 02/09/2022

O GP Jornal realizou, no último dia 25, o 239° Grande Papo, cujo tema escolhido pelos próprios alunos da EE Ângela Maria de Oliveira foi o PRECONCEITO. Dessa vez, os debatedores convidados foram a psicóloga Flaviane Correia e a advogada Elizângela Silva. Na abertura do evento, o público presente conferiu a apresentação musical do GRUPO SONATA, com a vocalista JAQUELINE SANTOS, a flautista KELEN CÍNTIA e o tecladista PAULO FARIA. Também foi realizado o sempre esperado Ganha Prêmio, com sorteio de brindes da, COGRAN, PLENA ALIMENTOS, escritor JOÃO MARTINS FERREIRA E MELLO NETO e GP JORNAL. Após, a equipe GP foi gentilmente convidada pelo diretor da escola, Ícaro Paulo da Silva Soares, para um delicioso lanche. Ali, a reportagem GP conversou com os debatedores e com Jaqueline Santos, representando o Grupo Sonata. Confira, começando pela psicóloga Flaviane Correia.

MISOGINIA - “* O preconceito, como a própria palavra diz, é um pré conceito sobre algo, tirando uma conclusão sobre alguém ou alguma situação, antes de conhecê-la. Importante falarmos que o preconceito não é somente sobre coisas ruins, mas também sobre qualquer ideia preconcebida. * Hoje em dia, quando ouvimos falar em preconceito, normalmente, o que vem à cabeça é o preconceito racial, mas vai muito além disso. E para mim, o maior preconceito que vivemos no Brasil hoje não é o preconceito racial, mas, sim, a misoginia (*). Infelizmente, o Brasil está entre os sete países mais preconceituosos do mundo, com muita violência e descriminação, por causa dessas ideias preconcebidas. * Gostei muito de participar do Grande Papo, ainda mais debatendo sobre um assunto tão pertinente. Realmente, foi muito bacana participar, não só para responder as perguntas dos alunos, mas também pude estudar e aprender mais sobre essas questões relacionadas ao preconceito. Uma pena não ter dado tempo para responder a todas as perguntas, mas me coloco à disposição para uma próxima participação,” propõe a psicóloga.

LEIS DESATUALIZADAS - Confira agora o que disse a advogada Elizângela Silva.

“ *A lei que regula o crime de preconceito foi escrita em 1989, há mais de 30 anos, mas hoje a cultura e o contexto mudaram, surgiram vários tipos de preconceitos, como o sexual, por exemplo, que ainda não está previsto na lei, mas a gente sabe que é crime. Se a pessoa for seguir o que diz a lei, literalmente, e esquecer do contexto social, ela vai ficar perdida, não saberá onde ir e como fazer, para lutar por seus direitos. Então, acredito que essa lei precisa de uma atualização. Não só a legislação do preconceito, mas quase todas as, mais antigas, em geral, precisam dessa atualização. Existe uma análise social, que envolve o crime de preconceito, e a vítima tem de buscar os seus direitos. Afinal, por mais que não esteja escrito certinho na lei que é crime, o contexto mudou e o preconceito também é considerado crime, inclusive passível de detenção. * Essa foi a 1ª vez que participei do Grande Papo e achei um evento muito bacana e até essencial, porque, realmente, precisamos de eventos como esse, que leva o direito até às escolas. Infelizmente, não temos ainda na grade curricular das escolas uma matéria específica, para falar sobre a constituição e os diretos dos cidadãos,” cobra a advogada 

MUITO A CAMINHAR - Leia também o que disse a vocalista do Grupo Sonata, Jaqueline Santos. 

“Penso que, hoje em dia, as pessoas estão mais esclarecidas sobre a ideia rasa e breve que é o preconceito. As pessoas estão deixando de tomar partido sobre uma situação ou pessoa que elas conhecem pouco, ou nada. Claro que temos muito à caminhar, mas acredito que as pessoas estão tomando mais consciência de que é preciso haver essa mudança de crença, em relação a isso. * Sobre o Grande Papo, me senti muito surpreendida, porque a plateia é jovem e a pertinência das perguntas foi muito elevada, inteligentes e bem elaboradas. Realmente, me surpreendi com a interação deles e achei a ideia da GAZETA, de levar um evento cultural como esse para as escolas, fantástica. * Falando sobre o Grupo Sonata, a gente se conhece há muitos anos e tudo começou, a partir de um convite recebido feito pelo Paulo Faria, como aluno da escola de música, para fazermos uma apresentação na abertura de uma palestra sobre a valorização da vida. Desde então, seguimos juntos,” relembra a vocalista.

(*) Ódio ou aversão ao contato sexual com mulheres.


A mesa debatedora do evento: jornalista Bié Barbosa, psicóloga Flaviane Correia e a advogada Elizângela Silva


Mais da Gazeta

Colunistas