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Ano 42 - Nº 2106

22 de Janeiro de 2026

265ª MOSTRA GP: PINTURA SOBRE TELA E CERÂMICA

Eventos GP

16/01/2026
265ª MOSTRA GP: PINTURA SOBRE TELA E CERÂMICA

Pintura sobre tela e pintura em cerâmica são duas formas de expressão artística que utilizam superfícies diferentes para a criação de imagens, cores e narrativas. A 1ª é uma das técnicas mais tradicionais das artes visuais. Já a pintura em cerâmica acontece sobre superfícies de barro queimado, quando o artista utiliza tintas ou esmaltes próprios para cerâmica que se fixam à peça, tornando-se permanentes. Esse tipo de pintura deixa de ser apenas uma imagem para se tornar parte de um objeto físico que pode ser manuseado, usado e integrado ao cotidiano. Diante disso, a reportagem GP convidou o artista e professor de artes, psicólogo Jonathan de Oliveira Jardim, 29, solteiro, residente no bairro São Cristóvão, para ser a atração da 295ª Mostra GP que ficará na recepção deste GP Jornal, nos meses de janeiro e fevereiro. Veja o que ele falou.

“Meu contato com a arte começou muito cedo, de forma natural, porque a arte sempre foi um espaço onde eu consigo me expressar, entender o mundo e a mim mesmo. Desenhar, criar e experimentar linguagens artísticas nunca foram apenas hobbies, mas uma necessidade de expressão. Com o tempo, percebi que ela não era só algo que eu gostava de fazer, mas algo que fazia sentido para a minha vida. Decidi seguir esse caminho, porque enxerguei nele uma ferramenta poderosa de educação, transformação e comunicação. Ela me ajudou a desenvolver sensibilidade, escuta e olhar crítico, quando vi que poderia fazer o mesmo por outras pessoas. Comecei a trabalhar profissionalmente com arte, em 2018, quando teve o último concurso público de Pará de Minas, quando entendi que poderia unir criação e ensino. Atuar como instrutor foi um passo natural, porque sempre tive facilidade em compartilhar conhecimento e em estimular a criatividade dos outros. Desde então, a arte passou a ser não apenas meu trabalho, mas parte essencial da minha identidade e da forma como me relaciono com o mundo. Apesar de sentir que o município não valoriza financeiramente a minha profissão, nem a importância da escola de artes para a população,” acha Jonathan.

INSPIRA-SE EM QUÊ? - “Minha principal inspiração vem dos elementos da natureza e das culturas ancestrais, especialmente da cultura indígena. A floresta, os ciclos naturais, os animais, as cores e os símbolos presentes nesses saberes, influenciam diretamente o meu processo criativo. Nas minhas pinturas em tela, busco traduzir essas referências, de forma sensível e contemporânea, trabalhando temas como transformação, espiritualidade e conexão com a natureza. A pintura para mim é um espaço de diálogo entre o mundo interno e o mundo natural, onde tradição e expressão artística se encontram.”

QUE MATERIAL É USADO? - “Utilizo diferentes materiais no meu processo criativo, como tinta a óleo e guache, principalmente em pinturas sobre tela. Também desenvolvo trabalhos em cerâmica, pintando pratos e peças que ampliam a pintura, para além da tela tradicional. Meu trabalho transita entre a pintura e o objeto artístico, explorando cores, símbolos e narrativas inspiradas na natureza e em culturas ancestrais, sempre buscando novas formas de expressão e diálogo com o público. Curiosamente, não enfrentei grandes dificuldades no processo. A construção desses trabalhos foi muito prazerosa e fluida, o que fez com que os desafios fossem mínimos. Houve, claro, o cuidado com técnica, tempo e materiais, como em qualquer produção artística, mas nada que tenha sido um obstáculo significativo. Acredito que isso acontece quando o trabalho está alinhado com aquilo que realmente nos move. Criar, a partir de referências que fazem sentido para mim, tornou o processo leve, intuitivo e muito gratificante. O tempo de produção de uma obra varia bastante. Cada trabalho tem o seu próprio ritmo, dependendo do tamanho, da técnica utilizada e do processo criativo envolvido. Algumas obras podem ser finalizadas em poucos dias, enquanto outras exigem mais tempo, especialmente no caso da pintura a óleo, que pede camadas e períodos de secagem. Quanto aos valores, eles também variam de acordo com o tipo de obra, o material, o tamanho e a complexidade do trabalho. Mas sempre tenho o cuidado de fazer obras com valores bem acessíveis.”

FALE SOBRE EXPOSIÇÕES - “* Já participei de exposições coletivas e uma delas foi à exposição Feitos de Terra e Alma, realizada em parceria com os artistas Eduardo Libério e Wagner Vasconcelos. Nessa mostra, trabalhamos a história de São Francisco, associada à causa ambiental, refletindo sobre o cuidado com a natureza e a relação do ser humano com o meio ambiente. * Também participei da exposição comemorativa dos 40 anos da Escola de Artes e Ofícios Sica, intitulada Entre Mestres e Aprendizes. Para aquela ocasião, produzi uma pintura, a partir de uma fotografia autoral feita durante uma trilha; ou seja, uma borboleta pousada em um tronco de árvore, imagem que simboliza transformação, delicadeza e conexão com a natureza. * Com certeza pretendo continuar fazendo exposições. É sempre um prazer mostrar para as pessoas um pouco de nossa visão autoral sobre o mundo e a adesão do público tem sido muito positiva. As pessoas se mostraram curiosas, abertas ao diálogo e interessadas em compreender os significados por trás das obras. Houve uma troca genuína, com comentários, perguntas e identificação com os temas abordados, especialmente aqueles ligados à natureza, à espiritualidade e à causa ambiental.”

AGORA, FALE DE VOCÊ - “Eu sou alguém movido pela sensibilidade, pela escuta e pela busca de sentido. Sempre tive curiosidade em entender as pessoas, os sentimentos e os processos internos que nos transformam. Não gosto de superficialidade, gosto de viver as experiências com presença e verdade. Sou uma pessoa afetiva, leal e intensa nas relações. Quando me envolvo, me envolvo de fato. Valorizo vínculos honestos, diálogo e conexão real. Ao mesmo tempo, aprendi que cuidar de mim é tão importante quanto cuidar do outro e esse tem sido um aprendizado constante. A arte atravessa quem eu sou, não só como profissão, mas como forma de existir. Ela é meu meio de expressão, de escuta do mundo e de transformação pessoal. Criar e ensinar fazem parte da minha identidade e do meu cotidiano. Também sou alguém em permanente processo de autoconhecimento. Gosto do silêncio, da reflexão e de tudo o que me ajuda a crescer, emocional e espiritualmente. Acredito que estamos sempre nos refazendo, aprendendo, mudando de pele e vejo isso como algo positivo e necessário. No fim das contas, sou uma pessoa comum, mas atenta: alguém que sente muito, pensa bastante e busca viver com coerência, profundidade e sensibilidade!”

ALGO MAIS? – “É uma grande alegria e uma honra estar expondo na Mostra GP da GAZETA PARÁ-MINENSE, que tem um papel fundamental na valorização da cultura e dos artistas locais, abrindo espaço para que a arte dialogue com a sociedade e alcance públicos diversos. Participar dessa mostra é muito significativo para mim, porque reconhece o trabalho artístico produzido na cidade e reforça a importância da arte como expressão, identidade e memória cultural. Estar presente em um veículo tão respeitado como a GAZETA fortalece não só o meu percurso, mas também a cena artística local. E quem tiver interesse em adquirir um trabalho meu pode entrar em contato diretamente comigo. Ou ir à lojinha da Escola Municipal de Artes e Oficio Sica.”

* Instagram: @Jonathan_Joj. WhatsApp: (37) 9 9937-3841.

O professor de artes, psicólogo Jonathan Jardim e algumas de suas peças que estão expostas na recepção deste GP Jornal, nos meses de janeiro e fevereiro: “Sinto que o município não valoriza financeiramente a minha profissão, nem a importância da escola de artes para a população”

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