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Ano 42 - Nº 2120
30 de Abril de 2026
Como já noticiado por este GP Jornal, bem como, vastamente divulgado, no Instagram @gazetaparaminense, a morte da jovem Vanessa Lara de Oliveira Silva, 23, no último dia 9 de fevereiro, causou forte comoção, não só em Pará de Minas, como em toda Minas Gerais, por ter sido um feminicídio brutal, ocorrido em Juatuba/MG. Em 2021, Vanessa ficou em 2º lugar no 27º concurso GGP - Garoto e Garota Phytness, realizado por esta GAZETA, ao representar o Glauber Personal, quando ela tinha 18 anos. Após ter dado essa triste notícia, a reportagem GP esperou passar um tempo para recuperação da família enlutada, quando entrou em contato com o irmão de Vanessa, Matheus Henrique de Oliveira Silva, 31, empresário, falou apenas o que poderia ser dito, devido ao segredo de justiça. Não deixe de ler.
“Minha irmã, Vanessa, assistente de recursos humanos e universitária no 7º período de psicologia, minha mãe, Iraci Castro Aparecida de Oliveira, 56, servente escolar e eu morávamos no bairro Belvedere. Nosso pai, Aguinaldo de Souza Silva, já faleceu. Vanessa era uma pessoa do bem, com muitos amigos, gostava de ajudar sempre as pessoas mais vulneráveis, sempre disponível para ouvir e entender os problemas das pessoas. Nós descrevíamos a personalidade dela como sociável, disciplinada e focada. Ela era alegria dentro da nossa família, aquela pessoa que unia todo mundo, que fazia a gente rir e tinha um coração enorme. A ausência dela deixou um vazio que nada tem conseguido preencher. Como todos irmãos, às vezes, em nossa relação, a gente acabava discordando um do outro, mas a gente se amava e, sempre que a coisa apertava, um recorria ao outro,” relembra Matheus.
COMO ELA ESTAVA, ANTES? - “No dia 21 janeiro, ela estava muito feliz, porque fomos para a praia de Cabo Frio/RJ, onde ela me pediu para tirar várias fotos dela. Depois disso, passou uma senhora cansada, vendendo coxinhas e ainda faltavam várias para ela terminar as suas vendas. Vanessa se propôs a ajudá-la e vendeu todas as coxinhas que faltavam. Aquela senhora ficou muito agradecida. Foi emocionante para mim ver a capacidade da Vanessa de se colocar no lugar do outro e ajudar uma pessoa que ela nunca tinha visto na vida!”
QUER FALAR DO ASSASSINATO? - “A Vanessa atuava em uma empresa de Contagem/MG, que presta serviços em Juatuba/MG e em outras cidades, fazendo processo seletivo. Mas ela trabalhava, na maioria dos dias, em home office e não tinha um dia exato e horário para ir a Juatuba/MG. Apenas, quando ela marcava algum processo seletivo em Juatuba, Mateus Leme/MG, Itaúna/MG e Pará de Minas. O horário de trabalho também dependia da quantidade de candidatos que teria no processo. Depois do trabalho, ela retornava de ônibus, BlaBlaCar ou uber pra casa, onde continuava o expediente dela de trabalho, normalmente das 8H às 18H. No dia 9 de fevereiro, a minha mãe falou com ela por telefone, às 10H, quando ela disse que voltaria de ônibus e chegaria em casa por volta das 15, 15H30. Fui buscar a minha mãe no Centro, por volta das 16H30, 17H, e a 1ª coisa que ela me perguntou foi: A Vanessa já chegou, Matheus? Eu respondi: Ainda não, mãe! Nesse momento, minha mãe ficou tentando contato com ela, mas ela não recebia mensagens, nem atendia as ligações. Aí, fomos nós que corremos atrás de tudo; não tivemos ajuda. No mesmo dia, após algumas tentativas com as policias de Pará de Minas e Juatuba/MG, de abrir Boletim de Ocorrência (BO), sem resultado, comecei uma mobilização na internet. No dia seguinte, 10 de fevereiro, às 6H, fomos para Juatuba, seguindo o percurso dela, atrás de imagens e, infelizmente, por volta as 13H a encontramos já sem vida...”
QUEM A ENCONTROU? – “O corpo da Vanessa foi encontrada por dois anjos: um fotógrafo chamado Caetano que, com um drone, ajudou com imagens aéreas do local, e outro, chamado Sedrick que foi procurando em baixo, por meio das instruções do Caetano. Autoridade mesmo eu só vi, quando noticiaram: Encontramos ela! Nesse momento, apareceu todo tipo autoridade... Todas as imagens veiculadas na internet são minhas e quem a procurou e encontrou não foi autoridade. Eles só registraram o BO no dia 10 de fevereiro, por volta das 9H da manhã, claramente após toda a repercussão do caso. Me senti desamparado, perdido, sozinho, mas correndo atrás da minha irmã, o tempo todo. Eu quero que seja esclarecida essa conduta dos policiais militares, que nos atenderam... Eu diria para eles * que sempre registrem as ocorrências; que acreditem nas mães, porque elas sabem o que estão falando e sentindo; * que sejam mais humanos; * e que se coloquem nos lugares das vítimas. Lidar com essa perda é como ter de aprender a respirar e andar, de novo. Andei mais de 10KM nesse dia, seguindo todas as possíveis rotas, fui em várias casas, procurando por imagens. Eu ainda tinha esperanças de encontrá-la com vida, mas quando confirmamos, fui pessoalmente dar a notícia para a minha mãe. Pedi a um amigo para levá-la pra casa e que eu cuidaria de tudo. A parte que mais me marcou foi ter que ir no IML reconhecer a minha irmã. Foi o momento mais difícil da minha vida e eu acredito que ele nunca mais sairá da minha mente!”
“EU QUERO QUE SEJA ESCLARECIDA ESSA CONDUTA DOS POLICIAIS MILITARES, QUE NOS ATENDERAM... EU DIRIA PARA ELES: * QUE SEMPRE REGISTREM AS OCORRÊNCIAS; QUE ACREDITEM NAS MÃES, PORQUE ELAS SABEM O QUE ESTÃO FALANDO E SENTINDO; * QUE SEJAM MAIS HUMANOS; E * QUE SE COLOQUEM NOS LUGARES DAS VÍTIMAS...”
E O VELÓRIO? – “No velório, ver a Vanessa daquela forma foi muito difícil... foi um velório reduzido, devido ao estágio em que o corpo dela se encontrava, o que nos deixou mais tristes ainda. Acredito que eu estava em choque, pois eu não me recordo muito bem daquele dia, nem das pessoas.”
QUER FALAR DO ASSASSINO? - “O Ítalo já é um grande conhecido do poder judiciário, pois tem sido condenado, desde 2002, por crimes como estupro, roubo, atentado violento ao puder, furto e resistência, com passagens pela prisão, desde 2003. No momento, está preso. No último dia 16, o Ministério Público fez a denúncia contra ele e, no caso da Vanessa, lutaremos para levá-lo a júri popular. Esperamos a condenação do responsável por tudo isso, para que nos tire esse sentimento de impunidade. Estamos buscando justiça, acompanhando todo o processo, pelos meios legais, junto ao Ministério Público e às autoridades. E também dando visibilidade ao caso, para que ele não seja esquecido. Queremos justiça e a responsabilização de todos que tiverem que ser responsabilizados. A dor faz a gente querer respostas imediatas, mas sabemos que existe um processo. Entretanto, como família, é muito difícil lidar com a espera. Foram feitas manifestações em Pará de Minas e em Juatuba que foram bem difíceis pra gente participar, mas foi lindo ver que existem pessoas que nos apoiam, que também lutam por outras vidas e que buscam justiça.”
E A SUA MÃE? – “O momento mais difícil tem sido ver a dor da minha mãe. Ver o sofrimento dela, todos os dias, é o que mais me machuca! Me dói ver minha mãe do jeito que ela está... Eu nem consigo imaginar a dor que ela está sentindo, mas me dói duas vezes: por ser irmão da Vanessa e por ver minha mãe assim... Essa perda mudou tudo na minha vida e estou aprendendo a viver com uma ausência, que nunca será preenchida. Aprendi também que não posso parar, porque agora eu tenho de lutar por ela. Eu não quero que a Vanessa seja lembrada pela forma como tiraram a vida dela. Eu quero que ela seja lembrada pela alegria, pelo carinho e pela pessoa incrível que ela sempre foi! E para quem está lendo esta entrevista, eu diria: Ame mais, abrace mais e seja mais presente, porque amanhã pode ser tarde demais!”
ALGO MAIS? – “Se eu pudesse falar algo para ela hoje seria isso: Nós te amamos, Vanessa! Está sendo tão difícil ficar sem você. Estamos sentindo falta do seu jeitinho Vanessa de ser. Eu faria qualquer coisa por você! Queria muito estar naquele local, naquele momento para salvar você...”
A servente escolar Iraci de Oliveira (D) e seus dois filhos, o empresário Matheus Silva, a então, assistente de Recursos Humanos e estudante de psicologia, Vanessa Lara, que foi cruelmente violentada e assassinada, em uma mata, em Juatuba/MG, e a priminha deles, Aurora: “Ter que ir ao IML para reconhecer a minha irmã foi o momento mais difícil da minha vida e acredito que ele nunca mais sairá da minha mente”