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Ano 42 - Nº 2127
24 de Junho de 2026
Assistindo pelas redes sociais um empresário dizendo em um vídeo que aquela era a 11ª vez que ele era premiado, o jovem advogado comentou com a namorada universitária, em um barzinho, num domingo de manhã:
- Acho esse cara muito metido e mascarado! Vive arrotando as suas glórias pra todo lado! Preguiiiça!
A namorada, estudante no 7º período de psicologia, comentou:
- Você não aprendeu ainda que são três as características da humanidade: a inconstância, o tédio e a ansiedade? Porém, acima de todas essas está a vaidade, que tira a visão para enxergarmos como esta vida é vã e passageira. Sabe por quê? Porque nós não suportamos ser desprezados, por quem quer que seja. As pessoas, inclusive, pagam caro, fazendo esforços extraordinários, para serem destacadas em uma sociedade, mesmo sabendo que algumas premiações não passam de uma cara encenação teatral.
O namorado questionou:
- Por que somos assim? O que está por trás disso tudo?
- Infelizmente, somos seres tristes e precisamos de uma distração, de uma diversão, para desviar a nossa mente do inevitável que é a morte!
O namorado perguntou, de novo:
- Será?
- O objetivo final da vida é um só: aceitarmos o fato de que o nosso corpo
envelhece e acaba, como uma árvore, como um fruto, como um animal... Neste mundo visível não adianta querer saber tudo que há para se saber... Temos de entender apenas que nem tudo será desvendado por nós, nesta curta passagem terrena.
O advogado fez nova pergunta:
- Então, a única coisa que pode nos consolar dessa nossa miséria seria a diversão?
A psicóloga respondeu:
- De certa forma, sim, mas não podemos nos esquecer também que a diversão é a maior das nossas misérias.
O namorado questionou:
- Como assim?
- A diversão nos impede de pensar em nós mesmos... Ela nos distrai da única direção para onde todos estamos indo e, como já disse, a morte!
- Credo! Você está muito pessimista hoje e, ainda pior, está conseguindo me contagiar.
- Mas quem começou este assunto foi você, quando citou o tal empresário que conta muito papo sobre si mesmo. É que pra ele se achar o máximo, é preciso ficar se propagando, o tempo todo. Essas vitórias distraem a mente dele, fazendo-o esquecer que, como a natureza, ele, um dia, também será reduzido a pó. Não vai sobrar pra ninguém!
O namorado suspirou, ao dizer:
- É muito deprimente isso, apesar de verdadeiro!
E você, o que pensa sobre esta vida?
UMA BOA LEITURA!