Alcance, credibilidade e imparcialidade,
desde 1984
Ano 42 - Nº 2133
31 de Julho de 2026
Descobrir as próprias origens é o desejo de muitas pessoas que, por diferentes circunstâncias, cresceram sem conhecer a família biológica. Em busca de respostas e da oportunidade de reconstruir parte da própria história, homens e mulheres recorrem, cada vez mais, à divulgação de seus casos, na esperança de encontrar parentes, para preencher esse buraco no peito, esclarecendo dúvidas sobre o seu passado e, quem sabe, restabelecer laços de sangue que nem o tempo consegue apagar. A reportagem GP conversou com Édson de Souza Fernandes Júnior, 31, técnico em manutenção de celulares e motorista de aplicativo, solteiro, filho de Édna Valéria Rodrigues, 57, técnica de enfermagem, solteira, residentes no bairro Eldorado, em Contagem/MG. Ele procurou a reportagem deste GP Jornal para contar a história de sua mãe adotiva, pedindo ajuda a quem puder ajudá-los. Confira o resumo.
“Eu sou o único filho dela, que sou pai de Heitor, 5, neto e xodó dela. Muito cedo, ela descobriu que havia sido entregue a outra família. A mãe de criação, Alzira Raimunda, conta que ela foi entregue à ela, quando ainda era bebê de colo. Ela tinha cerca de 6 anos, quando ouviu toda a verdade, pela 1ª vez, de sua mãe adotiva. Portanto, uma realidade que ela aprendeu a aceitar, desde menina. Infelizmente, Alzira faleceu, quando minha mãe tinha apenas 10 anos e não havia tido nenhuma adoção oficial. Existem duas versões sobre a adoção dela: 1ª) Alzira teria buscado minha mãe na casa de uma senhora chamada Maria Chavinha, de Pará de Minas, que acolhia crianças sem lar e as repassava para famílias que queriam adotar; 2ª) a mãe biológica, Maria Margarida de Jesus, entregou a bebê nos braços de Alzira, após alguém - possivelmente Maria Chavinha - ter feito uma ponte entre as duas. Sabemos que ela nasceu no dia 7 de janeiro de 1968, em Pará de Minas. Um fato marcante ocorreu no dia de seu batismo, porque Alzira acreditando que ela não tivesse sido batizado, tentou batizá-la com o nome de Terezinha Maria de Jesus. No entanto, uma pessoa levou a certidão original até ela, e o padre Hugo disse que o nome registrado e válido era o que estava no documento. Ou seja, Édna Valéria Rodrigues,” conta o filho Édson.
QUEM CONHECEU OU CONHECE MARIA CHAVINHA?
O QUE DIZ A CERTIDÃO? – “O documento oficial traz dados valiosos que são o nosso ponto de partida: Édna Valéria Rodrigues, nascida em 7 de janeiro de 1968, em Pará de Minas, sendo sua mãe, Maria Margarida de Jesus que, por sua vez, é filha de Maria da Conceição Rodrigues e Alfredo Lourenço. Não existe nenhuma informação sobre o pai que está em branco na certidão. Também não se sabe onde aconteceu o parto (no hospital ou em casa), mas temos esperança, apesar de saber que nos Anos 60 eram comuns registros com dados incompletos, fictícios e até errados.”
POR QUE ESPEROU TANTO TEMPO? – “Minha mãe começou a se movimentar para procurar a família biológica, há 7 anos, quando uma de suas colegas enfermeiras se sensibilizou com a dor dela e resolveu ajudá-la, voluntariamente. Elas já vasculharam cartórios, atrás de Atestados de Óbito, descobrir o paradeiro de Maria Chavinha, mas nada conseguiram. Na semana passada, porém, após um desabafo dela com a minha namorada, que ficou bastante tocada, decidimos que era hora de unir forças e intensificar essa busca. Mas o desejo de descobrir a verdade nunca morreu no coração da minha mãe, estava apenas adormecido. Percebemos que, com a internet, a tecnologia e o apoio da imprensa, hoje temos ferramentas que ela não tinha no passado e talvez seja a chance de dar um desfecho nessa história. Disparamos e-mails, requerimentos e pedidos de busca para o Cartório de Registro Civil, Arquivo Público, Museu Histórico, igrejas e prefeitura de Pará de Minas e estamos aguardando respostas. Sabemos que as informações são escassas e o tempo corre contra nós, mas o nosso foco agora é total! Começamos a nos movimentar também em grupos locais e páginas de redes sociais de Pará de Minas. Sobre a possibilidade de fazer o teste de DNA genético, temos um recurso financeiro muito limitado e o custo o torna inviável pra nós. Porém, sabemos que seria uma ferramenta revolucionária para a nossa busca e temos o sonho de conseguir realizar esse teste.”
“POR QUE A MINHA MÃE ME ENTREGOU E NUNCA MAIS ME PROCUROU?”
E A FAMÍLIA ADOTIVA? – “Minha mãe recebeu muito amor, mas carrega uma dor silenciosa, há mais de meio século. É o peso de não se saber de onde veio. O estopim para iniciarmos essa busca foi uma frase dolorosa que ela nos disse e que ecoa na minha mente: No dia em que eu morrer, a 1ª coisa que vou querer descobrir no outro mundo é por que a minha mãe me entregou e nunca mais me procurou? Isso acabou comigo, porque nós não queremos que ela espere o fim da vida para ter essa resposta. Ela tem o direito de saber a sua história em vida, com dignidade. Ela também disse assim: Eu sinto um grande vazio dentro de mim, uma sensação angustiante de não pertencimento, um sentimento de exclusão que me acompanha, desde a infância. Sempre que fecho os olhos, tento imaginar o rosto dos meus parentes de sangue, como será a minha real história, mas não consigo alcançar as respostas. Sinto que falta um pedaço de quem eu sou! Queremos descobrir se ela tem irmãos, tios, primos e se a mãe biológica ainda está viva. Encontrar registros, fotos ou qualquer detalhe sobre o passado já seria um tesouro imensurável para nós. Queremos que as peças desse quebra-cabeça finalmente se encaixem. O que queremos é compreender as dificuldades e as circunstâncias que levaram à separação, nada mais. Agora, se houver reciprocidade, respeito e espaço por parte da família biológica, construir um vínculo afetivo seria um presente maravilhoso!”
VOCÊ NÃO RESPONDEU À PERGUNTA... – “Esse assunto, infelizmente, ainda é um tabu na família de criação. As irmãs adotivas demonstram muita impaciência e desconforto, sempre que essa questão vem à tona, o que faz minha mãe se sentir isolada. Nosso intuito não é causar constrangimento a ninguém, mas exercer o direito legítimo de buscar a identidade biológica dela.”
POR QUE A GAZETA? – “Porque soubemos que este jornal tem muita credibilidade na cidade e tem o poder de fazer esta mensagem chegar ao interior das casas, alcançando pessoas que viviam em Pará de Minas, em 1968, e conheceram a Maria Chavinha. Lendo esta matéria, eles poderão dar uma pista para o jornal ou diretamente para nós, que poderá mudar as nossas vidas. Deixamos claro que essa busca é movida por amor e pela busca de identidade. É o pedido de socorro de um filho que quer ver a sua mãe sorrir por completo, sabendo finalmente quem ela é!”
ALGO MAIS? – “Qualquer informação, por menor que possa ser, pode acabar com uma dor e uma dúvida que já duram 57 anos. Nos ajude a preencher esse vazio em nossas vidas. Contatos diretos: comigo, Édson, pelo (31) 9 9139-6111 (whatsApp) ou com minha mãe, Édna (31) 98678-5266 (whatsApp).”
A filha adotiva, Édna Rodrigues, com sua irmã, Maria Lúcia, na infância (E), e hoje (D), com o filho entrevistado, Édson Júnior, que busca pela família biológica da mãe: “É o pedido de socorro de um filho que quer ver a sua mãe sorrir por completo, sabendo, finalmente, quem ela é”