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Ano 42 - Nº 2138
04 de Setembro de 2026
Na roda familiar, alguém comentou que uma empresária tinha fama, já espalhada por toda a cidade, de ser entojada. Quando ouvi essa palavra pela 1ª vez, lembro-me que perguntei:
- O que é entojada? Seria o mesmo que enjoada?
Responderam-me:
- Não deixa de ser, mas também é presunçosa, arrogante, alguém que se acha superior às outras pessoas.
A partir dali, comecei a observar melhor aquela mulher, porque, até então, não a via dessa forma negativa. Pelo menos, comigo. Porém um dia, durante uma ceia bem chique em sua mansão, presenciei algo que me levou a repensar sobre a boa imagem que, até então, eu tinha dela. Tudo aconteceu, quando, durante um tardio o jantar, aquela mulher alterou-se, no momento em que o garçom contratado, ouvindo o que dizia um dos convidados à mesa, deu um palpite sobre o que acabar de ouvir. A anfitriã, nessa hora, mostrou um temperamento que eu, realmente, desconhecia e, confesso que fiquei assustado. Disse ela, encima de seus sapatos de saltos altíssimos, com uma voz de comando militar:
- Garçom! Sabia que eu acho admiráveis os garçons que servem à mesa, sem importunar as conversas dos meus convidados?
Com o rosto repentinamente avermelhado, aquele profissional abaixou a cabeça, pediu desculpa com a voz por um fio e continuou servindo a mesa.
Como se não bastasse o mal-estar criado, aquela empresária continuou falando, com a voz trêmula, demostrando desequilíbrio emocional:
- Não sei onde vamos parar com esses prestadores de serviços tão despreparados!
Constrangidos, os nove convidados dela nada disseram, mas ela continuou:
- Hoje em dia, está impossível encontrar uma empregada doméstica, como antigamente, com habilidade ou educação de atravessar os cômodos mais íntimos de nossas casas sem ser notada. Como se não bastasse ainda são tão intrometidas. E os seguranças e porteiros, meu Deus? Não encontramos mais nenhum que fique atento apenas aos movimentos das ruas. Foi-se o tempo também em que tínhamos em casa cozinheiras, copeiras e governantas com capacidade para encher as nossas geladeiras e freezers, com os melhores produtos e preparar jantares espetaculares na surdina. Hoje, é só uma fofocaiada que ninguém aguenta...
Nessa hora, uma das convidadas tentou acalmar a anfitriã:
- Fulana, mas se eles tivessem tido uma formação melhor não estariam exercendo esses trabalhos... No mais, melhor com eles do que sem eles, não é mesmo?
A anfitriã arrematou o assunto, com o nariz em pé:
- Como dizia a minha mãe, para ser bom, uma empregada ou empregado tem de ser invisível e desaparecer na paisagem do ambiente!
E você, conhece pessoas que, realmente, têm um rei na barriga?
UMA BOA LEITURA!