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Ano 42 - Nº 2144

16 de Outubro de 2026

2144

TRABALHAR, COMER E DORMIR É MUITO POUCO PARA A GRANDEZA HUMANA

Notícias

15/10/2026
TRABALHAR, COMER E DORMIR É MUITO POUCO PARA A GRANDEZA HUMANA

As asperezas da realidade nos destroçam perante o colapso de nosso íntimo. A repetitividade aprisiona nossos espíritos. É, como uma fogueira, onde só resta brasa. Motivação humana, perante a vida, é coisa rara, o homem é escravo do cotidiano, a racionalidade imposta nos incomoda como um baile sem músicas. O ser humano, faz tudo para sobreviver, mas faz pouco para ser feliz, nos permitindo questionarmos se é possível ser feliz nesta morna vida. Nesta praia mansa, sem ímpetos interessantes, nos faz crer que libertar da repetitividade é um sonho de todos os seres humanos, mas conquista inatingível a nós mortais. A vida é uma fábrica de contrariedades, onde o estereotipo é o massacre de sensações suaves. Contrariedades e decepções são paradigmas deste conturbado cotidiano moderno e uma forma onde a personalidade humana se insere maltratada pela estreiteza da falta de novidades. Reinventar o cotidiano e nele depositar as sensações, que não têm preço, é o grande desafio humano. Atingir o ímpeto da felicidade, adaptando-se ao cotidiano parece um sonho distante. Por isso, a mediocridade nos leva a trincheira da insatisfação. E nessa guerra, somos destruídos pelos vírus das enfermidades do espírito. Reconhecer o inconforto sem poder dele se libertar é uma das teses mais labirínticas que o homem é incapaz de solucionar. Conviver com as intempéries é o grande desafio do homem moderno. Com a infelicidade interiorizada, o homem moderno, vence só desafios externos, mas é destruído pelos abismos escuros, onde não se vê a felicidade. Hoje, o homem assume o mundo, sem assumir a si próprio. Conquista, mas é derrotado pela destruição das sensações agradáveis. A preocupação humana é só sobreviver, quando deveria ser viver bem! E para isso é preciso depositar no cotidiano, esquecendo a obsessão da realidade imediata. Trabalhar, comer e dormir é muito pouco para a grandeza humana. Tem que haver pelo menos um gol, como os de Neymar ou um verso de Fernando Pessoa, para entreter e enfeitiçar nossa existência. JUAREZ ALVARENGA, Coqueiral/MG, cujo título original é Mediocridade Cotidiana.

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