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Ano 42 - Nº 2146
30 de Outubro de 2026
O evento Mister Olympia Amateur Brasil 2026 foi realizado de 16 a 18 de outubro, no Distrito Anhembi, em São Paulo/SP. Considerado o maior campeonato de fisiculturismo amador do Brasil, o evento reuniu cerca de setecentos atletas em busca de reconhecimento e oportunidade de ingressar no cenário profissional. A competição contou com diversas categorias, masculinas e femininas, nas quais os participantes foram avaliados por critérios, como volume muscular, definição, simetria e proporção física. Um dos principais destaques foi a distribuição de 24 Pro Cards, credenciais que permitem aos atletas vencedores ingressar na liga profissional IFBB Pro League e disputar competições internacionais. Além das disputas no palco, o evento também contou com feira de produtos e marcas do segmento fitness. Para saber mais, a reportagem GP conversou com o nutricionista, treinador, coach de fisiculturismo e atleta amador de Classic Physique, Henrique Vilena Almada, 30, solteiro, filho de Silvana e Carlos Roberto e pai de Pedro, 1 ano e 5 meses, que ficou em 3º lugar neste campeonato. Confira.
“Treino há mais de 10 anos, mas durante muito tempo nunca pensava em competir. Comecei com cerca de 60KG e fui construindo meu físico aos poucos. Com o tempo, o fisiculturismo deixou de ser só treino e passou a ser um desafio pessoal. Queria descobrir até onde eu conseguiria levar meu físico. Minha estreia foi em 2024, no Encontro de Gigantes, depois de uma preparação de aproximadamente 4 meses. Fiquei em 5º lugar. Em 2025, subi novamente aos palcos e consegui pódios nas competições que disputei, fui campeão em BH, fiquei no Top 3 em Uberaba/MG, e em 2025, participei de uma competição em São Paulo, onde conquistei o Top 3 no Fitpira. Em 2026, fui campeão em BH, novamente, conquistei o 2º lugar no Musclecontest Minas Gerais e agora o Mr. Olympia. Cada campeonato serviu para corrigir alguma coisa e fazer eu chegar melhor no próximo evento,” apresenta-se Henrique.
FALE DO OLYMPIA - “O Olympia Amateur é uma competição que eu já tinha colocado como meta, justamente pelo alto nível do campeonato. Não foi uma vaga conquistada, por meio de um campeonato regional. A decisão de competir veio da evolução que tive nos campeonatos anteriores e da vontade de testar meu físico em um palco muito maior. Competi na Classic Physique Open C e na Classic Novice. Eram vinte e sete atletas na minha categoria. O nível estava muito alto! Em um Olympia Amateur você encontra atletas muito completos e alguns que já são referências no cenário. Para mim, isso tornou o resultado ainda mais importante, porque eu queria me testar contra atletas desse nível. Eu fui para competir e fazer um Network, não apenas para participar. Sabia que tinha levado um físico competitivo, mas também sabia do nível que encontraria. Quando veio o 3º lugar, fiquei muito satisfeito, pois subir no pódio de um Olympia Amateur mostrou que estou no caminho certo, mas também deixou claro o quanto ainda posso evoluir. Os meus pontos fortes para conquistar essa colocação acredito que foi o conjunto: condicionamento, proporção e apresentação. Não adianta chegar bem fisicamente no evento e não saber mostrar o físico, no palco. Trabalhei bastante para apresentar o melhor conjunto possível, naquele dia. A própria reta final já é um desafio, porque você chega cansado, com dieta controlada, treino, trabalho e toda a pressão de apresentar, em poucos minutos, algo que levou meses para ser construído. O principal desafio foi manter a cabeça no lugar e seguir o planejamento, até subir no palco. Independentemente disso, o resultado dentro de um Olympia Amateur aumenta muito minha confiança para os próximos campeonatos e mostra que posso competir em alto nível!”
“REPRESENTAR PARÁ DE MINAS E CONQUISTAR UM PÓDIO NACIONAL É MUITO GRATIFICANTE”
E A PREPARAÇÃO? - “Foram aproximadamente 20 semanas de preparação específica, mas costumo dizer que o físico não foi construído nessa preparação. Afinal, são mais de 10 anos treinando. A preparação em si serve para revelar no palco aquilo que você construiu durante anos. Treino musculação seis vezes por semana e, durante a preparação, também faço cardio, praticamente todos os dias. Meus treinos duram em média de uma hora a uma hora e dez minutos. A alimentação é calculada e ajustada, conforme a evolução do físico, sem inventar moda: consistência e ajuste quando necessário. Essa provavelmente é uma das partes mais difíceis: conciliar a rotina de atleta com trabalho, estudos e família. Trabalho com atendimento, consultoria e preparação de pacientes e atletas; então, minha rotina é bem corrida. Muitas vezes treino em horários em que poderia estar descansando. E competir exige abrir mão de algumas coisas, inclusive do tempo com a família e com o meu filho. É uma escolha que precisa ser feita, com muita responsabilidade. Quem mais apoiou você durante essa preparação foram as pessoas próximas que foram fundamentais. Quero destacar também a mãe do meu filho, a tia dele, o meu coach, Carl Jung de Carvalho, e toda a nossa rede de apoio. Competir exige muito tempo e algumas ausências, principalmente como pai. Então, ter pessoas que me ajudam e entendem esse processo faz muita diferença. Representar Pará de Minas e conquistar um pódio nacional é muito gratificante. Eu sou do interior de Minas e construí toda a minha trajetória, praticamente, aqui. Chegar em São Paulo, subir em um dos maiores palcos do fisiculturismo amador e trazer um 3º lugar para Pará de Minas tem um peso especial para mim.”
OUTRAS COMPETIÇÕES? – “Quero continuar evoluindo e competir novamente, mas sem subir no palco, apenas por subir. A ideia agora é avaliar o físico, entender o que precisa melhorar e escolher o próximo campeonato, de forma estratégica. Meu objetivo é continuar buscando resultados maiores. A mensagem que eu deixo para quem deseja começar o fisiculturismo é não ter pressa. Fisiculturismo é um esporte de anos e não de meses. Antes de pensar em palco, aprenda a treinar, comer, descansar e construir um físico de verdade. O palco tem de ser uma consequência do processo e não o começo dele.”
ALGO MAIS? - “Gostaria de reforçar que esse 3º lugar não começou nessa preparação. Ele começou anos atrás, quando eu ainda tinha cerca de 60KG e nem imaginava competir. Tenho muito para melhorar e é justamente isso que me mantém motivado. No longo prazo, eu não perco. Fisiculturismo é um esporte caro, principalmente quando você começa a competir em campeonatos maiores. Tenho alguns apoios e parcerias que me ajudam bastante (redeformulas, growth e ciclotransportes), mas grande parte dos custos com a preparação, alimentação, viagens, inscrições e demais despesas ainda sai do meu próprio bolso. Mas vejo isso como um investimento e não como um gasto.”
* Para acompanhar o Henrique: Instagram: @henrique_vilena e TikTok: @henriquevilena153
O fisiculturista Henrique Vilena, que ficou em 3º lugar no maior campeonato de fisiculturismo amador do Brasil, realizado neste mês, em São Paulo/SP: “Não adianta chegar bem fisicamente num evento e não saber mostrar o físico, no palco”