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Ano 42 - Nº 2132
23 de Julho de 2026
Agenor Alves Filho, filho de Agenor Alves de Miranda e Luíza Pinto, nasceu em casa, em Conceição do Mato Dentro/MG, em 7 de janeiro de 1942. Teve seis, com ele sete irmãos (José Pedro (+), Maria José (+), Carmélia (+), Luiz Antônio (+), Sebastião (+ aos 9 anos), e Maria das Graças/Lia. Agenor foi casado durante 50 anos com Tereza Alves de Jesus, com quem teve oito filhos (Agenor, Maria da Conceição, Roberto, Cassimiro, Maria Luíza, Claudinei, Olívia, e Adinei), que lhe deram nove netos (Maicon, Maiara, Lucca, Mateus, Mariana, Henrique, Clara, Pedro e Rodrigo). Para saber mais sobre a história de vida dele, a reportagem GP conversou com Agenor, durante uma atividade recreativa no Centro de Convivência dos Idosos. Acompanhe.
“Em Conceição do Mato Dentro, eu trabalhava na roça, tinha uma chacrinha boa, onde mexia com gado, porco, galinha, plantação e fazia um dinheiro bom. Trabalhava à noite também, moendo cana e fazendo farinha de mandioca. Tinha de fazer de tudo. Minha família cresceu, eu vendi a chacrinha, comprei casas em Gouveia/MG, onde fiquei 8 anos morando, até nascer o meu último filho. Os outros filhos meus trabalhavam em uma fábrica, mas mandaram eles embora e eles vieram trabalhar em Pará de Minas. Como eles acharam aqui bom, vendi minhas coisas lá e vim pra cá também. Comprei minha casa aqui, porque Pará de Minas é uma cidade boa. Mês que vem, faz 27 anos que estou morando. Antes, ninguém conhecia aqui, mas só tem gente boa. Claro que tem as ruins também, mas essas larga pra lá, não quero mexida,” garante Agenor.
“ME CASEI COM ELA, SEM AMOR, MAS DEPOIS DE CASADO VIVI O AMOR VERDADEIRO COM ELA”
FALE DA INFÂNCIA - “Nós trabalhávamos na roça, plantando com o pai. Escola era difícil, estudei só até a 3ª série, em escola particular, não tinha escola de governo não. A dona usava a escola pra ganhar dinheiro. A gente pagava 2 mil réis por mês, mas ela passou para 5 mil reis e aí a gente não dava conta de pagar mais não (riso). Aí, fui trabalhar pros meus pais e ele plantava um pedaço pra gente, pra termos um dinheiro nosso, psra comprar roupa. Plantávamos milho, feijão e mandioca, tinha muita horta, verdura. Nós comíamos a plantação, tudo bem saudável e natural. Quando eu pus calçado no pé, pela 1ª vez, eu já tinha 15 anos. Antes, eu só andava descalço. A brincadeira nossa lá era pula-pula de cerquinha e pular corda.”
E A ADOLESCÊNCIA? - “Depois que a gente virou rapaz, aos sábados nós dançávamos forró numa casa, nos sábados à noite e era bom demais. Aos 19 anos, larguei o meu pai e fui trabalhar numa fazenda perto de Curvelo/MG, de um doutor do Rio de Janeiro/RJ, mas, quando eu contei a minha história, ele me falou que eu não precisava trabalhar. Aí, eu respondi que eu queria e precisava trabalhar, mas na verdade eu estava fugindo de uma namorada (muitos risos). Isso, porque a minha mãe não queria que eu namorasse ela, porque o pai dela bebia muito e ia levar a gente para beber também. Pra sair fora, eu tive de sair de casa. Fiquei lá uns 3 meses e, quando ela se casou com um primo meu, eu voltei. Depois que eu também me casei também, não trabalhei pra mais ninguém, porque o meu pai faleceu e eu fiquei trabalhando lá e tomando conta da casa dele. Meus irmãos já tinham casado quase todos e ficou só uma irmã comigo, porque ela não se casou. Ela era meio deficiente, sem jogo numa perna, mas andava e trabalhava. Ficamos eu, minha mãe, minha irmã e minha esposa, que se deu muito bem com a minha mãe. Enquanto minha mãe e minha irmã estavam vivas, eu fiquei na roça, mas quando elas faleceram eu não quis ficar com aquela filharada a roça. Aí, mudei de lá, abri um bar em Gouveia, onde perdi um bocado do meu dinheiro, porque eu não sabia mexer com isso; só mexia com roça. Então, não deu certo. Quando eu vim pra cá, mais problema, porque ao invés de dar baixa, o contador só bloqueou. Aí, quando eu fui renovar o CPF, me falaram que eu estava devendo pelo governo. Então, procurei um advogado e ele limpou o meu nome. Quando chegamos aqui, os meninos todos foram empregados e eu com a minha mulher, à-tôa dentro de casa. Assim, arrumei um serviço em Gorduras e voltei a trabalhar na roça, onde fiquei por 11 anos. O meu patrão deixou tudo em minha mão, pra eu comprar gado, tudo de meia. Eu comprava pra ele e pra mim, mas não consegui me aposentar, pois na roça não tinha INSS, mas recebo um benefício. Quando eu saí de Gorduras, o homem até chorou, mas a minha esposa adoeceu e eu tive de vir embora. Aí, ele comprou as minhas criações, o meu gado e me pagou tudo direitinho. Isso me ajudou demais, graças a Deus!”
FALE DO CASAMENTO? - “Quando o meu pai adoeceu, levei ele pro hospital de Gouveia. A mãe daquela que seria a minha esposa era prima 1ª do meu pai. Ela trabalhava na fábrica e foi me ajudando a cuidar dele e se encostando em mim. Quando ela chegava no hospital, eu corria dela (riso), mas a minha mãe e as minhas irmãs gostavam muito dela. Eu tinha uma namorada muito bonita, minha vizinha e eu queria era ela (riso), mas todo mundo queria a Tereza. Aí, eu me casei com ela, sem amor, mas depois de casado vivi um amor verdadeiro com ela. Fiquei com ela 50 anos. Agora, em setembro, faz 6 anos que ela faleceu. Depois que eu perdi a minha esposa eu fiquei triste, durante 1 ano, mas aí me incentivaram a dançar e me distrair. No forró, eu conheci e namorei várias, só não me casei (muitos risos). Mas hoje larguei disso, porque a idade já não ajuda. Já vou fazer 85 anos (riso).”
DIAS DE HOJE - * “Atualmente, eu venho para o Centro de Convivência dos Idosos todos os dias em que lá está aberto. Aqui, jogo o meu baralho, vou para o forró e vou também nesses encontros dos idosos. É isso o que eu gosto de fazer. * O povo de hoje não quer ter filho, gastam o dinheiro todo. Na roça, o sujeito juntava o dinheiro dele era debaixo do colchão (riso). O mundo de hoje eu acho até bom, porque eu não me envolvo com bobagem, mas o mundo de hoje está muito pior do que o mundo de antes. Antigamente, não tinha drogas, não tinha bagunçada, não tinha essas mortes, as pessoas eram mais tranquilas. * Nesses 26 anos em que eu moro em Pará de Minas, não sinto saudade de nada, pois está tudo só melhorando, cada vez mais. * Mas eu diria para os jovens andarem direito, não beberem tanto, não usarem drogas e ter fé em Deus, primeiramente! * O segredo pra se chegar na minha idade é não beber, não fumar, dormir bem à noite, comer só coisas saudáveis e ficar em casa, sem mexer com bagunçada na rua, porque isso não dá certo. * O momento mais feliz da minha vida foi o meu casamento. Fui feliz com a minha família, nesses 50 anos. * O momento mais triste foi a perda da minha esposa...”
AGENOR ALVES FILHO, 84