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Ano 42 - Nº 2139
11 de Setembro de 2026
O vício em jogos on-line, definido tecnicamente como ludopatia, é um problema de saúde pública, reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que o classifica como transtorno de saúde mental. A popularização das bets facilitou o acesso às apostas eletrônicas, gerando endividamento e prejudicando a saúde mental e a vida social de jogadores compulsivos e suas famílias. Em Pará de Minas, a secretaria de saúde estruturou o acolhimento a essas pessoas nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e na Rede de Atenção Psicossocial (Raps). Além disso, a secretaria criou a campanha Quando o Jogo deixa de ser Diversão, com o objetivo de orientar a população sobre os efeitos do vício em apostas e informar os canais de atendimento para quem precisa de ajuda. A reportagem GP conversou com a coordenadora da Rede de Atenção Psicossocial, psicóloga Raiane Couto. Confira.
“A ludopatia é um fenômeno que existe há muito tempo, só que a facilidade com que as bets colocaram para que a pessoa consiga jogar é o que torna tudo ainda mais grave. Você consegue jogar em qualquer lugar, em qualquer momento, de uma forma que o outro não percebe que você está ali jogando e, apesar de ser tratado como um tema de entretenimento, de sucesso, porque é assim que é vendido, ele pode provocar não só a questão do transtorno, mas um sofrimento para essa pessoa e para sua família. Com a Copa do Mundo e a gente sabe que o brasileiro tem realmente a paixão pelo futebol, isso foi massivamente divulgado, inclusive em campeonatos brasileiros. A gente percebe que quanto mais banalizado o tema fica, mais as pessoas vão tratar como algo banal, mas não é banal e, por isso, é tão importante a gente estar esclarecendo. Tem muita gente que joga e pensa que tem uma lógica no jogo, ou que tem uma forma de organizar esse jogo, que você tem domínio sobre ele e ir até onde você perceber que está sendo prejudicial. Mas na verdade o sujeito acha que na próxima aposta será diferente e cai num ciclo vicioso que só é rompido, quando a pessoa toma conhecimento que o caminho é perigoso, não só para o endividamento, como também para o sofrimento. Já existe um curso que o Ministério da Saúde desenvolveu especificamente para o atendimento relacionado às pessoas que estão sofrendo com a questão dessas apostas e os nossos profissionais já estão sendo capacitados nesse sentido. Porém, antes do ministério lançar essa campanha, a gente já tinha dado início a algumas discussões com os nossos profissionais, além de organizar para que os três Caps recebessem essa demanda. Primeiramente, a atenção primária, na UBS, que é o lugar mais perto da casa das pessoas, com um psicólogo em cada unidade. Ele, juntamente com a equipe da unidade básica faz a avaliação e se perceber a urgência encaminhará para qualquer um dos três Caps (I, IIe III). Entretanto, nem todo mundo chega para o atendimento no tempo oportuno, mas é um tema sério. Não ache que com você será diferente, tipo vou jogar só uma vez, para ter um ganho e, depois, vou parar. Enfim, isso não está acontecendo só em Pará de Minas, é um fenômeno nacional,” alerta Raiane.
AJUDA - A reportagem GP conversou também com o responsável pelo Caps Ad, o enfermeiro Alisson Soares. Veja.
“Depois de 2023, ficou muito fácil jogar. Os smartphones, o acesso à internet, a questão social das mídias sociais, dos influenciadores, ficou um dinheiro muito fácil. Então, as bets vêm para aquele usuário que está no adoecimento, na depressão e outras situações. Eles procuram o que as bets falam: renda fácil, uma 2ª renda. Então, eles entram na inocência, se cadastra, cria com vinte reais e você começa a jogar. Você ganha, realmente, no começo, mas depois começam a retirar de você. Alguma pessoa vai ganhar, mas vários vão perder e são influências que provocam um vício em que a pessoa não consegue sair sozinha; é um adoecimento mesmo. Porém, desde que o paciente reconheça e busque esse atendimento, a gente está conseguindo tratar e orientar bem, porque a questão nossa é acolher sem fazer julgamento e mostrar para a pessoa que aquilo ali foi um momento dela, quando ela não saía do telefone, ficava endividada e não estava conseguindo mais honrar com os seus compromissos financeiros, começando até a vender objetos. ?As pessoas que já estão com esse vício devem buscar a atenção primária, o apoio do psicólogo, o Caps, porque há tratamento,” garante Alisson. (Texto da REPORTAGEM GP).
A coordenadora da Rede de Atenção Psicossocial, a psicóloga Raiane Couto, e o responsável pelo Caps Ad, enfermeiro Alisson Soares: “É um tema sério e não ache que com você será diferente, tipo vou jogar só uma vez, para ter um ganho e, depois, vou parar”