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Ano 42 - Nº 2140
18 de Setembro de 2026
Muita gente sabe que Pará de Minas tem no agronegócio a sua principal força econômica, com destaque para a avicultura, a bovinocultura e a suinocultura. Ao longo dos anos, o município desenvolveu uma cadeia produtiva diversificada, envolvendo propriedades rurais, produção animal, alimentação, assistência técnica, transporte, processamento e comercialização. * Na SUINOCULTURA, Pará de Minas se destaca pela dimensão e pela qualidade da produção, com cerca de duzentos e vinte e cinco mil suínos, segundo dados de 2024. * Por sua vez, a AVICULTURA de Pará de Minas e região diretamente ligada ao município concentram, aproximadamente, cem milhões de aves. * Já a BOVINOCULTURA, especialmente a produção de leite, possui em torno de quarenta e dois mil bovinos e uma produção de mais de trinta e dois milhões de litros de leite ao ano. Número tão significativo que neste ano foi criado na cidade o Dia Municipal do Leite. Além de movimentar o campo, essas atividades geram trabalho e renda e impulsionam diversos setores da economia. A estrutura produtiva e a organização do setor mantêm o município em posição de destaque na produção de alimentos e como um dos principais polos de proteína animal do interior de Minas. Diante de dados tão significativos, para comemorar os 167 anos de Pará de Minas, esta GAZETA não teve outra pauta mais importante que essa, para fazer esta Edição Especial de Aniversário da Cidade, com depoimentos de dirigentes desses três segmentos econômicos fortes da cidade. Vale a pena conferir.
AVICULTURA FORTE- Começando pela avicultura, a reportagem GP conversou com o administrador e presidente da Cogran - Cooperativa dos Granjeiros do Oeste de Minas, Marcelo Amaral Franco, 54, casado com a pedagoga Maura Cristina Picorelli Santos, com quem tem o filho Bento, 15. Confira. “Sobre o atual cenário econômico da avicultura em Pará de Minas e os principais desafios enfrentados pelo setor, o setor continua sendo uma atividade de grande relevância para a cidade, mas vem enfrentando um cenário de bastante pressão. É uma atividade que exige investimentos constantes, eficiência operacional e muito controle de custos. Entre os principais desafios estão os preços e a disponibilidade das principais matérias-primas, especialmente milho e farelo de soja, além dos custos de energia, mão de obra, transporte, medicamentos e investimentos em tecnologia e biosseguridade. Outro ponto fundamental é a sanidade. A avicultura brasileira conquistou uma posição de destaque no mercado mundial, justamente pela qualidade e pelo rigor sanitário, e precisamos manter esse padrão, permanentemente. Qualquer problema sanitário pode provocar impactos econômicos muito grandes para toda a cadeia. Por isso, acredito que o produtor precisa, cada vez mais, trabalhar com gestão, planejamento, tecnologia e eficiência. Não basta produzir mais; é necessário produzir melhor e com custos competitivos. Sobre a importância da avicultura para a geração de empregos, renda e movimentação da economia local, a atividade tem uma importância enorme para a economia de Pará de Minas, porque seus efeitos vão muito além da propriedade rural ou da indústria. É uma cadeia que movimenta produtores, trabalhadores, transportadores, fábricas de ração, fornecedores de equipamentos, assistência técnica, comércio, serviços e uma série de outras atividades. Isso gera emprego e renda e mantém recursos circulando dentro do próprio município e região. Além disso, a presença de uma cadeia avícola estruturada fortalece o produtor rural e cria oportunidades, para que novas gerações permaneçam no campo, com uma atividade profissionalizada e tecnificada. No caso de Pará de Minas, temos uma tradição muito forte na produção de alimentos e uma cadeia agroindustrial que faz parte da identidade econômica do município. A avicultura é um dos pilares dessa estrutura. Sobre o futuro da avicultura em Pará de Minas e as perspectivas para o desenvolvimento da atividade, vejo com bastante otimismo, embora reconheça que teremos desafios importantes pela frente. O Brasil possui vantagens competitivas muito grandes na produção de proteína animal e Minas Gerais tem condições excelentes para continuar crescendo. Pará de Minas, especificamente, tem conhecimento, produtores, empresas, mão de obra e uma cadeia produtiva consolidada. Acredito que o crescimento daqui pra frente estará, cada vez mais, ligado à efi ciência, tecnologia, gestão, genética, nutrição, automação e biosseguridade. Também teremos uma demanda crescente dos consumidores, por alimentos de qualidade, produzidos com responsabilidade e rastreabilidade. Para a nossa região, existe uma grande oportunidade de agregar, cada vez mais, valor à produção, fortalecer a industrialização e ampliar a participação da avicultura nos mercados brasileiro e internacional. Minha visão é que a avicultura continuará sendo uma atividade estratégica para Pará de Minas. Temos uma história muito forte no setor e, com profissionalismo, investimento e união de toda a cadeia, podemos construir um futuro ainda mais sólido para a atividade,” diz Marcelo.
BOVINOCULTURA EXPORTANDO - A reportagem GP conversou também com o empresário do setor de alimentos, fundador e sócio-proprietário da Plena Alimentos, Dênio Altivo de Oliveira, 59, casado com a odontóloga Simone Alves, 57, com quem teve os gêmeos, Vitor Tadeu, 18, e Igor Tadeu, que permanece presente na história e no coração de toda família. Confira. “Sobre o atual cenário econômico da bovinocultura em Pará de Minas, vejo-o com otimismo. Pará de Minas tem forte tradição agropecuária e conta com produtores, cada vez mais, profissionais e preparados. Entre os principais desafios enfrentados pelo setor estão as oscilações no preço do boi, o aumento dos custos dos insumos, as questões tributárias e a busca constante por eficiência. Nesse contexto, parcerias com empresas sólidas e confiáveis são fundamentais. Com mais de 36 anos de história, a Plena Alimentos nasceu em Pará de Minas, construiu uma relação de confiança com os produtores e hoje exporta para mais de quarenta países. Sobre a importância da bovinocultura para a geração de empregos, renda e movimentação da economia de Pará de Minas, a atividade movimenta uma ampla cadeia produtiva, que inclui o campo, o transporte, a indústria, o comércio e a prestação de serviços. Por isso, a atividade gera empregos, renda e oportunidades, contribuindo diretamente para o desenvolvimento de Pará de Minas e de toda a região. Sobre o futuro da bovinocultura em Pará de Minas e as perspectivas para o desenvolvimento da atividade, também sou otimista. A tendência é que a bovinocultura avance com o uso de novas tecnologias, maior produtividade, sustentabilidade, gestão e profissionalização. Pará de Minas reúne tradição agropecuária, produtores qualificados, mão de obra preparada e uma forte cultura empreendedora. Esses fatores criam um ambiente favorável para o crescimento da atividade. Acredito no potencial da pecuária brasileira e nas perspectivas de desenvolvimento do nosso município,” diz Dênio.
SUINOCULTURA EM CRISE - A reportagem GP conversou ainda com Gabriel José Palotti, 44, casado com a arquiteta de interiores, Júlia Lage Ribeiro, com quem tem Helena, 13, e Joana, 10. “A suinocultura está em crise, porque os preços do suíno vivo estão abaixo, há 16 anos e não tem uma média histórica dessa. Hoje, o custo está na casa de R$ 6,50/R$ 6,70 e o preço do suíno vivo praticado em Minas Gerais está em R$ 5,00. Lógico que esses preços variam, semanalmente. O desafio está enorme, porque mesmo com as exportações batendo recorde, média de 8% a mais do que em julho e agosto do ano passado, o consumo interno está fraco, já que a população está sem dinheiro. Por outro lado há um crescimento de quase 30% a mais na efi ciência, produtividade e nutrição brasileira. Exemplo: antigamente, uma porca produzia dez leitões por desmame e hoje as porcas estão desmamando treze/quatorze. Ou seja, isso está gerando mais oferta do que demanda, causando um desespero na suinocultura brasileira. Está muito complicado e nós estamos muito preocupados, porque a gente não está vendo a luz no fi m do túnel, porque quando a exportação puxa, o preço do suíno sobe. Mas mesmo a exportação puxando e tendo o consumo interno, porque está barato, os preços não estão alavancando, devido à alta produtividade da efi ciência da suinocultura. Resumindo: o Brasil aprendeu a criar suínos, mas com essa efi ciência o suinocultor brasileiro gerou excesso na produtividade e a demanda não acompanhou. Hoje, a carne suína está mais barata que a, do frango, e o preço não está subindo, porque o Brasil hoje é o 3º maior produtor de suínos do mundo, atrás da China e dos Estados Unidos. Então, o principal motivo é esse: o aumento da produção, que colocaram mais carne no mercado. Em 13 meses, o volume de abates aumentou cerca de 6,5%, mas o consumo interno não aumentou na mesma proporção. As exportações também cresceram - mais de 1 milhão de toneladas de carne suína em 2026 - mas não o sufi ciente, ainda, para tirar todo o excedente do mercado interno. Fora isso, o ponto mais complicado para o produtor é o seguinte: o preço de venda cai, enquanto muitos custos da alimentação continuam altos. Diante disso, quem está no mercado independente sente muito mais essa crise. Infelizmente, a própria Associação Brasileira dos Criadores de Suínos resumiu o 1º semestre de 2026 da seguinte forma: mais produção, mais exportação e menos preço,” lamenta Gabriel.
AVICULTURA FORTE: O presidente da Cogran, Marcelo Amaral: “Temos uma história muito forte no setor avícola e, com profissionalismo, investimento e união, podemos construir um futuro ainda mais sólido para a atividade”
BOVINOCULTURA DE EXPORTAÇÃO: O co-fundador e sócio-proprietário da Plena Alimentos, empresário no setor de alimentos, Dênio Altivo: “Acredito no potencial da pecuária brasileira e nas perspectivas de desenvolvimento do nosso município”
SUINOCULTURA EM CRISE: O sócio proprietário e diretor da Adeel Alimentos, administrador Gabriel Palotti: “Está muito complicado e nós estamos muito preocupados. A gente não está vendo a luz no fi m do túnel, porque quando a exportação puxa, sobe o preço do suíno, mas a população está sem dinheiro”