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Ano 42 - Nº 2123
21 de Maio de 2026
O prefeito de Pará de Minas, Inácio Franco (PL), virou alvo de forte repercussão política em Minas Gerais após aparecer em um vídeo declarando apoio à pré-candidata ao Senado Marília Campos (PT). O episódio gerou crise dentro do Partido Liberal, provocou pedidos de expulsão do prefeito e movimentou os bastidores das eleições deste ano no estado. O vídeo foi gravado durante um encontro realizado na prefeitura local, onde Marília esteve, acompanhada do ex-prefeito Zezé Porfírio. Na gravação, Inácio afirmou que a relação política construída entre os dois, durante o período em que atuaram juntos na Assembleia Legislativa de Minas Gerais está acima das diferenças ideológicas e partidárias.
“Sou filiado ao PL e a Marília é filiada ao PT, mas não é o partido, é a pessoa,” disse o prefeito.
CONSTRUINDO PONTES - Nas redes sociais, a pré-candidata publicou uma mensagem defendendo diálogo entre partidos adversários e criticando a polarização política no estado.Veja.
“Mesmo estando em partidos diferentes, mostramos que a boa política se faz com respeito, parceria e capacidade de construir pontes. E Minas Gerais não precisa de mais divisão e polarização,” alfineta Marília.
EXPULSÃO DO PARTIDO? - A repercussão dentro do PL foi imediata, quando a seguinte nota oficial foi publicada. Acompanhe.
“O Partido Liberal de Minas Gerais informa que, em resposta às declarações públicas de apoio a uma pré-candidatura do PT ao Senado, proferidas pelo prefeito de Pará de Minas, Sr. Inácio Franco, adotou as seguintes medidas: * Encaminhou ofício à Comissão de Ética e Disciplina do partido, a fim de que seja instaurado processo para avaliar a conduta, conforme prevê o estatuto partidário. * O PL seguirá integralmente a decisão que for tomada por essa comissão, a qual poderá culminar até mesmo na expulsão do referido prefeito. * Decidiu não renovar a Comissão Provisória Municipal de Pará de Minas, composta pelos atuais integrantes, considerando o vencimento do prazo de vigência. * O PL ressalta que o Sr. Inácio Franco, na condição de prefeito municipal filiado ao partido, está sujeito às normas da Resolução PL n° 003/2026, que trata da proibição de participação em coligações opositoras. Portanto, em análise preliminar, fica evidente que sua conduta pode configurar descumprimento inequívoco da diretriz encaminhada pela Executiva Nacional. * A oposição entre PL e PT não é circunstancial ou meramente eleitoral: trata-se de uma divergência estrutural, ideológica e programática. Apoiar uma candidatura do PT significa, para um filiado ao PL, não apenas violar uma diretriz partidária formal, mas também abraçar publicamente um projeto de país que contraria, em seus fundamentos, os valores e o programa da própria agremiação. * O Partido Liberal respeita manifestações políticas que sejam coerentes e éticas. No entanto, apoiar uma candidatura do PT fere os princípios que defendemos e não condiz com o modelo de país que estamos empenhados em construir,” informa o partido.
FIDELIDADE PARTIDÁRIA - Nos bastidores, lideranças conservadoras interpretaram a atitude como uma quebra de alinhamento ideológico, já que o PL é nacionalmente ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro e historicamente se posiciona contra o PT. Por outro lado, aliados de Marília Campos passaram a usar o episódio como exemplo de diálogo entre grupos políticos diferentes. A situação acabou viralizando nas redes sociais, especialmente entre eleitores de Pará de Minas e apoiadores bolsonaristas, gerando críticas ao prefeito e debates sobre fidelidade partidária. O episódio também é visto como um dos 1ºs grandes embates políticos envolvendo as articulações para as eleições de 2026 em Minas Gerais.
NOTA DA REDAÇÃO - Procurada pela reportagem GP, veja o que disse a Assessoria de Imprensa da Prefeitura.
“Não haverá manifestação sobre o assunto,” esquiva-se a assessoria.