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Ano 42 - Nº 2132

24 de Julho de 2026

2132

“A CAMISA DA SELEÇÃO BRASILEIRA TEM UMA FORÇA GIGANTE NO EXTERIOR...”

Notícias

29/07/2026
“A CAMISA DA SELEÇÃO BRASILEIRA TEM UMA FORÇA GIGANTE NO EXTERIOR...”

Transformar a paixão pelo futebol em uma aventura sobre rodas foi a opção de muitos torcedores nesta Copa do Mundo. Em vez de hotéis e deslocamentos constantes, eles optaram por viajar de motorhome, transformando o veículo em uma casa itinerante. E assim, percorreram milhares de quilômetros entre as cidades-sede, para assistir os jogos e para explorar novos destinos. A tendência une turismo e esporte em uma verdadeira road trip, permitindo que os fãs vivam a emoção do Mundial dentro e fora dos estádios, com liberdade para criar roteiros personalizados e fazer da viagem uma experiência marcante quanto os jogos. A reportagem GP conversou com o advogado Victor Marinho, 32, solteiro, residente no bairro São Luiz, que, juntamente com sete amigos, foi para a copa nos Estados Unidos em um motohome. Confira o que ele falou dessa experiência inequecível.

“Eu e meus amigos estávamos reunidos em um sítio, no ano passado, como fazemos, todos os anos, para confraternizar, quando alguém sugeriu que a gente fosse para a copa nos EUA em um motorhome. Todos topamos a ideia e em menos de 24H tudo já estava reservado. Foram sete amigos, todos advogados, mas de cidades diferentes. Eu de Pará de Minas, Luan Leal, Fred Pataro e Leonardo Poeiras, de Belo Horizonte, Thadeu Felix, de Caeté/MG, Luís Gustavo, de Vitória/ES e Jaílson Filho, de Capim Grosso/BA. Foi mais tranquilo do que possa parecer. Escolhemos fazer o percurso de motohome, em vez de outros meios de transporte, justamente por ser uma aventura diferente do que a maioria das pessoas fazem. Queríamos fugir do óbvio e acredito que conseguimos. O planejamento da viagem foi assim: cada um ficou responsável por uma etapa. Eu reservei o motorhome e os outros ficaram responsáveis por comprar as passagens, reservar os hotéis e dividir a direção no motorhome, conta Victor.

FALE DO PERCURSO – “Fizemos praticamente toda a costa leste dos Estados Unidos. Saímos de Miami, passamos em Tampa, fomos até a Filadélfia, onde assistimos Brasil x Haiti; depois fomos para Nova Iorque  viver o clima de copa. Por fim, fomos até Washington, onde deixamos o motorhome, pegamos um voo e voltamos para Miami, para assistir Brasil x Escócia. Quase 3.000KJM rodados em estradas que de tão boas, planas e retas, que em alguns momentos chega a ser tedioso. Mas todas as paisagens que fomos vendo mudar, ao longo dos estados, compensou cada minuto. No maior trecho, de Miami e Filadélfia, foram quase 30H, entre paradas para comer e descansar.”

E OS JOGOS? – “* A experiência de assistir a partida entre Brasil e Haiti, na Filadélfia, foi incrível. A integração que tivemos com o povo do Haiti e toda admiração que eles têm pelo Brasil, tornou o clima do jogo ainda mais legal. O estádio do jogo, o Lincoln Financial Field, é um dos estádios mais bonitos que eu já conheci, mundo afora. Ver todos os povos se reunindo na Times Square para confraternizar foi um momento único. Já estive lá em outra oportunidade e poderei voltar mil vezes que, tenho certeza, de que não terá a mesma energia. * Vimos que os noruegueses estavam se aglomerando na Times Square, encontramos uma brecha entre eles e entramos na festa. De repente, todo mundo começou a se sentar, e aí percebemos o que iria acontecer. Nesse momento, comecei a gravar. Eu já tinha visto na internet que em momentos como aqueles, eles começavam a fazer a remada. Então, nessa hora não tive dúvidas do que iria acontecer a seguir. Quando assisti o vídeo, já imaginei que tinha potencial de viralização. Após postá-lo, comecei a receber diversos contatos de veículos de comunicação querendo saber sobre a história do vídeo. * Assistir o jogo do Brasil e Escócia foi como me sentir em um estádio brasileiro. Miami é uma cidade que tem muitos brasileiros e isso refletiu no estádio. Mas a torcida da Escócia é fantástica, cantando o tempo todo. Eles adoram fazer festa. * Nos sentimos muito seguros nos ambientes da Fifa e algo que a gente não esperava: fomos muito bem recebidos pelos americanos, mesmo em estados que não tinham jogos da copa. Sempre perguntavam se estávamos gostando do país e alguns até nos ajudavam, passando dicas sobre as cidades.”

“DE TODAS AS URGÊNCIAS, VIVER É A MAIS INADIÁVEL”

A MAIOR EMOÇÃO – “O momento mais emocionante de toda a viagem foi a nossa chegada na Filadélfia, depois de quase 30H de viagem, e encontrar um mar de torcedores brasileiros tomando as ruas e festejando. Foi muito emocionante! Mas no meio da viagem, o cano do esgoto do motorhome quebrou, mas encontramos um posto de gasolina próximo, graças a Deus. Aí, um americano que estava numa caminhonete puxando uma lancha parou pra perguntar o que estávamos achando do país. Perguntamos se ele tinha silver tape, ele tinha e nos emprestou tudo. Dessa forma, conseguimos fazer uma gambiarra para consertar, ao melhor jeitinho brasileiro, e seguimos a viagem. Filadélfia é maravilhosa e confesso que fiquei surpreso com o que encontramos. Nova York e Miami, como eu já conhecia, não senti tanto o impacto, apesar de Miami Beach ser meu lugar favorito no mundo, mas alguns amigos que estavam indo pela 1ª vez, ficaram encantados. Por fim, Washington tem monumentos e edificações muito bonitas também. Muita gente tem me perguntando sobre como foi a convivência entre nós sete dentro de um motohome e eu digo foi uma convivência bem tranquila. Mesmo com muitas pessoas diferentes andando tantos dias juntas, conseguimos levar tudo muito bem. Se eu pudesse escolher um único momento dessa aventura, com toda certeza, eu escolheria aquele em participamos da remada dos noruegueses.”

ALGUMA LIÇÃO? – “A lição e aprendizado que essa viagem proporcionou foi que nunca se pode comparar o preço dos seus sonhos, com o preço dos sonhos dos outros. Quem me via pagando caro por um ingresso da copa, não compreendia como aquilo era importante para mim, que cresci assistindo os VHS do meu pai sobre copas, sonhando em um dia estar lá! O mais caro de toda viagem foram os ingressos. No jogo contra o Haiti saiu por R$ 4.850,00 cada e no jogo contra a Escócia, cada ingresso custou R$ 11.930,00. Ou seja, os ingressos representaram 50% dos custos coletivos. Agora, já existem outros planos de acompanhar a Copa do Mundo, da mesma forma. Conhecemos vários grupos de pessoas que estão, há várias copas do mundo, viajando juntos. Nosso planejamento para a próxima copa já começou. Somando todas as despesas coletivas, chegamos a um valor de R$ 32.000,00 por pessoa. Mas deixo um conselho para quem sonha fazer uma viagem como essa: se você tiver possibilidade de fazer, vá. Afinal, daqui a 4 anos não sabemos se vamos estar aqui. O dinheiro gasto a gente trabalha e ganha de volta, mas o tempo e a oportunidade nunca mais voltam. De todas as urgências, viver é a mais inadiável!”

ALGO MAIS? – “A camisa da Seleção Brasileira tem uma força gigante no exterior. Toda vez que a usávamos, as pessoas passavam e falavam Brasil. Nos tratavam muito bem, pediam para tirar fotos com a gente. Eu não tinha ideia do poder dessa camisa fora do nosso país!”

Da E p/ D: Fred Pataro, Thadeu Felix, Jailson Filho, Luis Gustavo, Luan Leal, Leonardo Poeiras e o entrevistado, Victor Marinho. Juntos, eles foram para a Copa do Mundo da Fifa, nos Estados Unidos: “Quem me via pagando caro por um ingresso da copa, não compreendia como aquilo era importante para mim, que cresci assistindo os VHS do meu pai sobre copas, sonhando em um dia estar lá”

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